O corpo ainda vibra.
Provoca outros
tantos movimentos...
Ensaios para uma
vida inteira.
Chega! Chega
de vida vivida
pelas metades...
Chega de meios termos,
meiopasses, meios
e meias estirados
na cama. Embolados.
Há uma racionalidade
no irracional. Um entredito
no não dito que diz
mais do que quando
se almeja expressar.
O jeito é não se
importar mesmo!
E deixar-se falar
por si. Quem?
Sabe-se lá.
Enquanto isso
eu vou compondo
minha dança,
provocando meus
desequilíbrios
no ofício de
ser sem descanso,
sem descaso.
Digo e repito:
viva pela parte inteira,
não pelas beiradas.
Senão você come
as etapas
e se engasga.
E perde direito a tapas
e esfregas, meras
tentativas de
extirpar o insólito
sólido mal
degustado, mal
compreendido.
Viva pelo
instinto, pelo
pulso. Viva pelo
puro movimento
que te mantém
nesta vida.
Viva!
sexta-feira, 1 de abril de 2011
domingo, 13 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
1° Ato: Toc toC tOc
Na brevidade
do
tempo
tempo
Nessa instalação
efêmera
ogesto
se
estabelece
estremece
se
estremece
se
são
Objetos
contrapostos
justapostos
sobrepostos
Expondo
cada um
uma própria
sinesfera
são
Corpos Suores Odores e outros Fedores
compondo dança
compartilhando
partituras
Duras
repetições
Um
contato
uma
compartilhando
partituras
Duras
repetições
Um
contato
uma
Comunhão
O
animado
animado
e o
ainda
inanimado
Nesse contrato
Textura fina
firme lisa resiste
ao tato Impõe
uma outra medida
Propõe novas
simetrias
Auto-reconhece
Mal sabe
a mente
sobre
o
corpo
tão sabiamente
acordado
sob
o pescoço
dela
Dá-se
comandos
Afasta um
braço
arreda uma
perna
Gira a
cabeça
Balança
o quadril
Mal sabe
a mente
sobre
o
corpo
tão sabiamente
acordado
sob
o pescoço
dela
Dá-se
comandos
Afasta um
braço
arreda uma
perna
Gira a
cabeça
Balança
o quadril
A mão
tenta enfrenta
abre
a escuta Pede
licença
Espera ou apenas se
arrasta
com seus pés
Investiga
Atreve-se
no ato
Desata suas
amarras
para poder
sair
do lugar
Só aí
descobre-se
no Espaço
Obs
O espaço
tudo aquilo
além
do meu
corpo
Inclusive
meu
Corpo
2° Ato: Creck!
O corpo em ação
diz o não dito,
busca o esquecido
e depara com
suas verdades e
mentiras.
Até
mesmo seus
silêncios, sem
seu consentimento...
E suas farsas
já impregnadas
em cada centímetro
quadrado, cada
volume cúbico,
cada curva,
cada entorno.
E reverberam
em todos os
músculos.
Colide uns nos
outros: expõem
fraturas.
Cá se
apresenta:
O corpo mutilado,
de ossos serrados,
aos cacos!
Limpa-se
a ferrugem.
Solda!
Aproveita
e se encharca
de óleo.
Improvisa-se
um ritmo,
deixa-se o
som levar
o corpo levando
a mente.
E então,
O corpo se
contrapõe: procura
os limites. Estica:
atravessa, segue
em frente e
corre
obedecendo
somente o
instinto.
Quebra-se
em ângulos obtusos,
agudos, até
ficar reto e
se esparramar
num solo
fértil.
O organismo
retrai. Encolhe.
Engloba.
Encaixa-se
numa placenta
por suas
veias,
insufla o
pulmão.
Pensa na
mãe natureza,
transpira por
suas glândulas
e provoca o
coração.
diz o não dito,
busca o esquecido
e depara com
suas verdades e
mentiras.
Até
mesmo seus
silêncios, sem
seu consentimento...
E suas farsas
já impregnadas
em cada centímetro
quadrado, cada
volume cúbico,
cada curva,
cada entorno.
E reverberam
em todos os
músculos.
Colide uns nos
outros: expõem
fraturas.
Cá se
apresenta:
O corpo mutilado,
de ossos serrados,
aos cacos!
Limpa-se
a ferrugem.
Solda!
Aproveita
e se encharca
de óleo.
Improvisa-se
um ritmo,
deixa-se o
som levar
o corpo levando
a mente.
E então,
Passo a
passo, pé ante pé
deixa-se
germinar
naquele chão.
O corpo se
contrapõe: procura
os limites. Estica:
vira daqui pr'ali.
Vai e volta. Contorna,atravessa, segue
em frente e
corre
obedecendo
somente o
instinto.
Para!
Quebra-se
em ângulos obtusos,
agudos, até
ficar reto e
se esparramar
num solo
fértil.
O organismo
retrai. Encolhe.
Engloba.
Encaixa-se
numa placenta
imaginária e
se prepara:
se prepara:
Respiração ofegante,
pulsante!
O sangue correpor suas
veias,
insufla o
pulmão.
Pensa na
mãe natureza,
transpira por
suas glândulas
e provoca o
coração.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Epílogo
Esse trabalho é fruto da oficina 'Instalações Efêmeras' com a artista Dudude Herrmann. Foi um processo de descoberta, o qual desencadeou numa nova consciência do meu corpo – visceral e somático. Pude me arriscar, reciclar, inovar e principalmente me perceber.
Ao fim dessa experiência, pensei na melhor maneira de reportá-la, na sua intensidade, aqui para o blog e cheguei a idéia de fazer essa "exposição" The Performer, traduzindo em versos, imagens, vídeos, sons e em muitos outros movimentos tudo aquilo que experenciei.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
O despertar de um pessimista
ou Uma noite à luz do dia
O sol lá fora surgia
e da janela o
chamava pra
vida: acorda!
Esfrega, puxa,
espicha e grita:
sai de mim, preguiça!
Lençol, travesseiro,
cama, pijama, chinelos,
óculos... Cadê os
meus óculos?
Levantara da cama,
olhos semicerrados
cambaleara até
alcançar o som: play!
Ligava-se para
o dia.
A música tardia veio
dar sentido àquilo
que já não existia.
Meros trechos mal encaixados,
versos desencontrados que
se reuniam pra fazerem
parte de um passado
encaixotado.
E não veio sozinha,
mas sim equiparada,
quero dizer, bem acompanhada
de muitas outras estrofes,
de canções várias,
verdadeiras traduções
de sentimentos
afônicos, atônitos
pelas circunstâncias.
Arrastara-se até
a janela. O céu de
azul clarinho carinhava
sua cuca, com a mão
de encontro à nuca
dera-lhe um
puxão de orelha.
Xícara de café
na mão, biscoito
de nata. Café-da-manhã
perfeito para seguir
satisfeito o resto
da vida – cumprida.
Não fosse os
mesmos deveres
compridos
todos os dias. Não
fosse os mesmos
problemas. Não
fosse as mesmas
questões, as mesmas
paixões. Não fosse eu,
não fosse você.
Até daria.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Terminou? Mas pelo twitter?
Minha tia Marta, que mora no Rio, sempre que vem a BH trás para mim as revistas O Globo que saem no jornal todo domingo. Além de ótimas matérias sobre decoração, entrevistas com artistas de todas as áreas e uma coluna da escritora Martha Medeiros, nela também tem um chargista bastante gente fina...
Pois bem, em homenagem ao Valentine's day compartilho com vocês o deboche da vez:
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Ulisses e Lorely:
A Origem da Primavera ou A Morte Necessária em Pleno Dia
, queria eu poder descrever aqui com a mesma linguagem primorosa da Clarice Lispector sobre o seu livro Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres. É tão lindo, de uma delicadeza imoral. Clarice acaba por nos deixar estupefatos, em puro êxtase. É um verdadeiro convite ao descobrimento do – nosso – mundo. Um desabrochar, um permitir, uma coragem e tanta!
"– amor será dar de presente um ao outro a própria solidão?"
Provei de uma alegria mansa. Deparei com as minhas angústias ali descritas, de uma maneira tal, que eu jamais poderia exprimir por mais que eu me espremesse! Ela nos toma pela mão e nos leva a uma descoberta plena de nós mesmos através da dor – através do amor!
"Naquela hora da noite conhecia esse grande susto de estar viva, tendo como único amparo apenas o desamparo de estar viva. A vida era tão forte que se amparava no próprio desamparo."
Está aí o que eu preciso. Ter a coragem necessária de me amparar no desamparo, de me equilibrar nessa corda bamba, de ser por mais que me doa, por mais que eu me sinta frágil... E quando o aperto chegar, quero poder rezar como nossa querida Lorely faz no seu tão amiúde desespero:
"alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte e sim a vida, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que eu receba o mundo sem medo, pois para esse mundo incompreensível nós fomos criados e nós mesmos também incompreensíveis, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade e paciência comigo mesma, amém."
E toda essa descoberta não seria mesmo possível sem que Deus estivesse ali para amparar, quero dizer, sem que Ulisses estivesse ali para desamparar, digo regar, adubar – mesmo de longe. Era preciso ter paciência e aguardar pela primavera. E Ulisses a guardou:
"– Lóri, disse Ulisses, e de repente pareceu grave embora falasse tranquilo, Lóri: uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra pra frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso."
E nessa espera Lóri foi se desencontrando do mundo, foi se desconhecendo no espelho, foi se despindo de muitos outros conceitos que nem ouso balbuciar. Lóri se desnudou até sentir-se crua o suficiente para dizer:
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Aguente!
"De repente Lóri não suportou mais e telefonou para Ulisses:
- Que é que eu faço, é de noite e eu estou viva. Estar viva está me matando aos poucos, e eu estou toda alerta, no escuro.
Houve uma pausa, ela chegou a pensar que Ulisses não ouvira. Então ele disse com voz calma e apaziguante.
- Aguente!"
- Que é que eu faço, é de noite e eu estou viva. Estar viva está me matando aos poucos, e eu estou toda alerta, no escuro.
Houve uma pausa, ela chegou a pensar que Ulisses não ouvira. Então ele disse com voz calma e apaziguante.
- Aguente!"
Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres
Clarice Lispector
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Da nossa nudez
E a gente se expõe
de corpo inteiro.
E a gente se desnuda
prum mundo mundo
vasto mundo...
E compartilha
dessa nudez de quem
apenas vive
e não desiste;
E digo mais:
A gente se entrega,
às vezes, sem
a menor cerimônia.
E depois chora
e se demora
mais um pouco
a passar...
A gente ora!
O que podemos
fazer? Se ser humano
é ser assim?
É se despirde seus
conceitos,
é se expor
sem um
receio...
Às vezes machuca
e fica feio pra burro!
Ferida sangrando
por fora,
coração ardendo
por dentro.
Mas não há
outro jeito,
senão
subverter
todos os medos
e sublimar
todos as
nossas mágoas -
no travesseiro.
- À nudez nossa de cada dia, amém!
"e o que não é maleável deixa de ser nobre,
nem era amor aquilo que se amava.
Nem era dor aquilo que doía;
ou dói, agora, quando já se foi?
Que dor se sabe dor, e não se extingue?
(Não cantarei o mar: que ele se vingue
de meu silêncio, nesta concha.)"
Nudez
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Como um troféu
ou Poesia do incômodo
Como um troféu,
você o pôs
na estante.
Expôs
e repôs...
expôs e repôs
no mesmo
instante.
Esperou o tempo pairar,
a poeira baixar
de vez naquela
prateleira.
Esperou o clamor
acabar, o grito se calar,
o choro secar, e o seu troféu,
enfim, empoeirar.
Está ali o seu troféu...
Já tão distante...
Tanto faz,
pouco importante...
Caminhão de mudança
estacionado no asfalto.
Coração abandonado
na estante.
Não cabera na caixa,
mas o projetara
naquele instante.
Não cabera na - nova - casa,
mas o proporcionara
aquele lance.
Como um troféu,
você se atreveu
a esquecê-lo
na estante...
(Sem supor
o que o
troféu
iria sentir.)
- Mas ele sentiu!
sábado, 15 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Me vê a conta!
Pobre coração
assim aflito.
Quer ser
meu amigo?
Eu te mostro
um abrigo.
Da sua boca
as palavras
escorrem
feito lágrima.
Que agora
são várias.
E você nem
as enxuga.
Pobre coração
ágil, tão frágil
nesse contágio
improrrogável...
Você pede a conta:
- Por favor.
E a notinha
não vem,
o cartão
falha
e a máquina
agarra aquele
papelzinho.
Pobre coração
assim sozinho.
- Só.
Só precisa
de carinho.
- S...
Só quer
ficar juntinho.
- .
Só precisa
de um tempinho.
Quer se refugiar,
ficar segurosozinho.
Procura estar
assim, mais
alegrinho...
pra poder continuar
brincarjuntinho.
Pobre coração
avaçalado.
Há tempos você
vem meio calado...
Deve estar meio
cansado de
estar sempre
assim aflito.
Quer ser
meu amigo?
Eu te mostro
um abrigo.
Da sua boca
as palavras
escorrem
feito lágrima.
Que agora
são várias.
E você nem
as enxuga.
Pobre coração
ágil, tão frágil
nesse contágio
improrrogável...
Você pede a conta:
- Por favor.
E a notinha
não vem,
o cartão
falha
e a máquina
agarra aquele
papelzinho.
Pobre coração
assim sozinho.
- Só.
Só precisa
de carinho.
- S...
Só quer
ficar juntinho.
- .
Só precisa
de um tempinho.
Quer se refugiar,
ficar segurosozinho.
Procura estar
assim, mais
alegrinho...
pra poder continuar
brincarjuntinho.
Pobre coração
avaçalado.
Há tempos você
vem meio calado...
Deve estar meio
cansado de
estar sempre
só – acompanhado.
domingo, 2 de janeiro de 2011
Naufrágio dezembro
Em 2009, pedi por um terremoto ao ano que se iniciava - 2010. Quis colocar um basta em toda mesmice e jogar fora todo aquele antiquário... Mal sabia eu que os meus desejos poderiam ser realizados. E veio o ano novo e fui atropelado. Cai estatelado no chão e os tremores atrapalhavam a minha subida. Houve um tempo em que eu preferi ficar quietinho, sem nada tentar... Esperando só as placas tectônicas voltarem ao seu lugar.
Era janeiro e passado o estresse do vestibular eu resolvi fazer as malas e viajar pra Pasárgada. Pensei em dar um tempo nesse blog, para me renovar. Inovar. Não que hoje eu esteja super satisfeito com os meus "posts" aqui do blog, mas eu queria elevar o nível. Ter um cuidado melhor com a palavra dita. 2010, nesses quase três anos de Meu Irritante Eu, foi o ano em que eu menos escrevi... Foi o ano que em que suprimi aquilo que, antes, me atrapalhava: Adeus, Irritante eu. Agora tudo é Meu!
Nesse cuidado com o texto, acabei por me aproximar da poesia. Maneira esplêndida de se escrever com muito esmero, de elevar o espírito, de se encantar com a vida passada à limpo nas palavras de um poeta. Daí fiz minha retrospectiva, dessa vez, estendendo todos os meus versos num varal, ops!, sarau. E enxerguei ali a história de um ano que não acabava mais, de um difícil dezembro que insistia em continuar a me afogar. O mar, na sua ressaca procurando me envolver naquela água, gelada! Já não me bastasse a boa parte dos 365 dias que passei remando contra a maré... E no fim, dezembro me afogou.
Surjo na praia, vejo que já é janeiro e nem sei bem quantas horas se passou. Só sei que em algum instante naufraguei. Aqui estou, 2011. E nesse recomeço, transcrevo poesia roubada da estante, poesia de um mestre que muito sabe da vida:
- Adeus Pasárgada, adeus!
Era janeiro e passado o estresse do vestibular eu resolvi fazer as malas e viajar pra Pasárgada. Pensei em dar um tempo nesse blog, para me renovar. Inovar. Não que hoje eu esteja super satisfeito com os meus "posts" aqui do blog, mas eu queria elevar o nível. Ter um cuidado melhor com a palavra dita. 2010, nesses quase três anos de Meu Irritante Eu, foi o ano em que eu menos escrevi... Foi o ano que em que suprimi aquilo que, antes, me atrapalhava: Adeus, Irritante eu. Agora tudo é Meu!
Nesse cuidado com o texto, acabei por me aproximar da poesia. Maneira esplêndida de se escrever com muito esmero, de elevar o espírito, de se encantar com a vida passada à limpo nas palavras de um poeta. Daí fiz minha retrospectiva, dessa vez, estendendo todos os meus versos num varal, ops!, sarau. E enxerguei ali a história de um ano que não acabava mais, de um difícil dezembro que insistia em continuar a me afogar. O mar, na sua ressaca procurando me envolver naquela água, gelada! Já não me bastasse a boa parte dos 365 dias que passei remando contra a maré... E no fim, dezembro me afogou.
Surjo na praia, vejo que já é janeiro e nem sei bem quantas horas se passou. Só sei que em algum instante naufraguei. Aqui estou, 2011. E nesse recomeço, transcrevo poesia roubada da estante, poesia de um mestre que muito sabe da vida:
O Mundo é Grande
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
Carlos Drummond de Andrade
- Adeus Pasárgada, adeus!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Penduricalhos: um sarau estendido no varal
Fui-me pra Pasárgada
onde a existência
é uma aventura.
Fui crer na
distância entre
fui ver - da minha
câmera (quebrada!) -
o que os olhos
até então
não podiam crer.
E senti: a vida é leve!
O mundo é leve e
Drummond, talvez,
completasse:
"ele não pesa mais
que a mão de uma criança"
Pedi pelo aviso
até dar por
mim e
de fato partir
ao meio
anseio - desejo de
quem teme.
Foi preciso
deixar a
máscara cair!
Deixar a ficha
escorrer.
E só aí
poder e querer
e mergulhar
nesse sonho de
olhos - bem - abertos.
Pesadelomedo,
nesse chuveiro
o pingo pinga
pinga e fere
e pifa: ohcéus,
o chuveiropifou!,
mas uma hora
essa água
há de acabar.
Ela há de
se esvair
pelo ralo,
assim como eu,
só que um pouco
mais tarde.
Em Pasárgada
eu vi, nem
sei como,
nem quando,
mas vi o meu eu.
explodir, feito
bomba-relógio.
E fui, pouco a
pouco perdendo
os sentidos,
nem tato, nem olfato,
visão alguma;
nem som, nem gosto.
E me perdi
e esqueci
de mim... em si.
Aproveitei
pra desdizer
o que
um dia disse
e vi palavramarcarda,
uma vez
manchada,
jamais esquecida
palavra não-dita,
maldita
que insiste em
se pronunciar:
sou seu,
só meu. - nosso!
Esse nosso olhar
cruzado foi
então marcado
naquele encontro
lado a lado num
balanço-de-cadeira.
Brincarte de quem
com o fogo mexe
e não se queima.
E arrisca ao
cada vez mais:
Ei!, quer brincar de ser feliz?
Aprendi
que em Pasárgada
a vida é um risco,
onde alguns,
achando bárbaro
o espetáculo,
prefeririam os (delicados)
morrer. No entanto,
ali a vida é
um - interregno -
frágil tempo
que se esvaira
como um sopro...
Ah!, Pasárgada,
um dia eu volto de lá.
onde a existência
é uma aventura.
Fui crer na
distância entre
fui ver - da minha
câmera (quebrada!) -
o que os olhos
até então
não podiam crer.
E senti: a vida é leve!
O mundo é leve e
Drummond, talvez,
completasse:
"ele não pesa mais
que a mão de uma criança"
Pedi pelo aviso
até dar por
mim e
de fato partir
ao meio
anseio - desejo de
quem teme.
Foi preciso
deixar a
máscara cair!
Deixar a ficha
escorrer.
E só aí
poder e querer
e mergulhar
nesse sonho de
olhos - bem - abertos.
Pesadelomedo,
nesse chuveiro
o pingo pinga
pinga e fere
e pifa: ohcéus,
o chuveiropifou!,
mas uma hora
essa água
há de acabar.
Ela há de
se esvair
pelo ralo,
assim como eu,
só que um pouco
mais tarde.
Em Pasárgada
eu vi, nem
sei como,
nem quando,
mas vi o meu eu.
explodir, feito
bomba-relógio.
E fui, pouco a
pouco perdendo
os sentidos,
nem tato, nem olfato,
visão alguma;
nem som, nem gosto.
E me perdi
e esqueci
de mim... em si.
Aproveitei
pra desdizer
o que
um dia disse
e vi palavramarcarda,
uma vez
manchada,
jamais esquecida
palavra não-dita,
maldita
que insiste em
se pronunciar:
sou seu,
só meu. - nosso!
Esse nosso olhar
cruzado foi
então marcado
naquele encontro
lado a lado num
balanço-de-cadeira.
Brincarte de quem
com o fogo mexe
e não se queima.
E arrisca ao
cada vez mais:
Ei!, quer brincar de ser feliz?
Aprendi
que em Pasárgada
a vida é um risco,
onde alguns,
achando bárbaro
o espetáculo,
prefeririam os (delicados)
morrer. No entanto,
ali a vida é
um - interregno -
frágil tempo
que se esvaira
como um sopro...
Ah!, Pasárgada,
um dia eu volto de lá.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Nosso presente
Embora a minha família se reúna quase toda em todos os domingos, nessas festividades de fim de ano, se instaura um novo clima na casa da minha vó. Período em que estamos atentos para toda a fraternidade que nutrimos uns pelos outros. Quando procuramos estar mais unidos. Buscando conciliações para desentendimentos ocorridos ao longo do ano, planejando essa grande festa e, o mais importante, não só lembrando do motivo desta data, como fazendo com que os outros se lembrem também.
Esse ano eu estive diretamente ligado à Novena de Natal na casa da minha vó. Resolvi tomar partido e propor uma nova leitura, ou, um novo olhar em cima da história de um dos homens mais influentes de toda humanidade - Jesus. Sugeri que fizéssemos uma retrospectiva da vida do Messias, tomando como ponto de partida a sua Ressurreição. Primeiro para que o final da Novena coincidisse com a noite do dia 24, quando celebramos o Seu nascimento e, segundo, para compreendermos que aquilo representa um renascimento. A vida não termina quando acaba. A vida é um eterno recomeço, um ciclo.
E assim, pegamos nossas malas e voltamos no tempo, passando por sua aparição, depois de morto, à Maria Madalena e sua Mãe. Vivenciamos a sua morte e tomamos, junto com os discípulos, a Santa Ceia. Admiramos a conversão de Zaqueu, ficamos aflitos com Marta e Maria na morte de Lázaro, mas festejamos a sua volta do mundo dos mortos. Vimos que Jesus, em seu Ministério, ensinou os que o seguiam através de parábolas e vibramos com os milagres que realizou. Passamos pelo batismo de João Batista e, Hoje, celebraremos a sua vinda a Terra.
Passar por esse tempo do Advento, como diz a Igreja Católica, trouxe um grande sentido a minha vida. Estive de braços abertos, sem críticas, embora fosse criado em berço evangélico, por minha mãe... Vi que Deus é um só e que as religiões, muitas vezes, podem somar o conhecimento, ao invés de disseminar discórdia, desavenças e guerras, como ocorre em alguns eixos desse Planeta.
Seria tão bom se todos se lembrassem do sentido dessa data. Fico triste quando ouço pessoas falarem que não se importam com o Natal, e só criticam, só ficam atentos para a hipocrisia, o comércio, o parente que não suporta ver, mas que nessa época, infelizmente, tem de se encontrar, para o trânsito infernal, as estradas lotadas... Fico triste com toda essa carga negativa que muitos jogam em cima do nascimento do menino Jesus.
Não nos esquecemos que em nossas vidas passamos por várias etapas. Um ciclo se encerra, para dar lugar a muitos outros. Vamos renascer junto com Cristo esta noite, vamos acreditar num dia melhor, num mundo melhor. Ouvi esses dias que quando a paz reinar, deixará de ser Terra e passará a ser Céu, mas que tenhamos, ao menos, alguns bons momentos de paz, perto de quem a gente ama, sentindo-se acolhido.
Esta noite vou agradecer a Deus pelo presente que ele nos deu, fruto do seu amor por todos que vivem aqui na Terra:
"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna."
(João 3. 16)
Noite Feliz, Noite Feliz Ó Senhor Deus do amor Pobrezinho nasceu em Belém Eis na lapa Jesus nosso bem Dorme em paz, ó Jesus Dorme em paz, ó Jesus Noite Feliz, Noite Feliz Ó Jesus Deus da luz Quão afável é teu coração Que quisestes nascer nosso irmão E a nós todos salvar E a nós todos salvar Noite Feliz, Noite Feliz Eis que no ar Vem cantar Aos pastores Seus anjos no céu Anunciando a chegada de Deus De Jesus Salvador De Jesus Salvador!
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Se joga
Afinal, que jogo
é esse,
sem juiz?
Quem apita
nessa história?
Quem dá
as cartas?
Jogo sem regras,
de quem brinca
com o fogo,
mas não tema.
Não se queima.
Quem arrisca
pular nessa amarelinha?
Quem vai querer
correr nesse pega-pega?
Quem de nós
se esconde?
Se eu sou polícia,
você é ladrão?
Se me roubar,
ganha prisão?
Aviso: nessa flor,
quem não quiser
mal (me) querer,
não arranque
a primeira pétala!
Afinal, como
conquista
o prêmio?
Quem se perde?
E quando
empata?
Ei!, é você aí,
só olhando,
de "altas".
Você mesmo!
Se joga e me diz:
que jogo é esse?
é esse,
sem juiz?
Quem apita
nessa história?
Quem dá
as cartas?
Jogo sem regras,
de quem brinca
com o fogo,
mas não tema.
Não se queima.
Quem arrisca
pular nessa amarelinha?
Quem vai querer
correr nesse pega-pega?
Quem de nós
se esconde?
Se eu sou polícia,
você é ladrão?
Se me roubar,
ganha prisão?
Aviso: nessa flor,
quem não quiser
mal (me) querer,
não arranque
a primeira pétala!
Afinal, como
conquista
o prêmio?
Quem se perde?
E quando
empata?
Ei!, é você aí,
só olhando,
de "altas".
Você mesmo!
Se joga e me diz:
que jogo é esse?
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Sobre a (minha) intimidade
Tudo se acalmou, embora aqui dentro muitas coisas estejam bem agitadas. É engraçado ver como me adaptei e até bem! Embora meu mundo estivesse ficado de pernas pro ar, quando entrei pra faculdade, eu aprendi a me assentar e levantar com calma para encarar toda essa nova realidade que se apresentou à minha frente. Um ano foi o suficiente para eu me organizar nessa nova vida.
Tudo mudou, mas a minha essência permaneceu-se viva. Esteve soterrada por algum tempo e não a encontrava em canto algum desses destroços, mas cá estava, intacta! Fortaleci bastante esse ano e descobri o valor da privacidade. Me preservar em alguns momentos desse ano foram fundamentais para hoje eu me sentir pronto para seguir e dar a cara a tapa.
Cheguei na faculdade meio imaturo em algumas coisas e tudo me pareceu festa à princípio. Mas aos poucos eu fui aprendendo a me guardar, a não expor tanto a minha intimidade, a escolher as pessoas com as quais eu iria de fato conviver e chamar de "amigo". Não se deve contar tudo a todos, não porque não se deva confiar nas pessoas, mas porque nem todos estão realmente interessados em te conhecer e em saber se você está bem, ou se está passando por algum problema. Um "oi, tudo bem?" muitas vezes deve ser respondido com um "tudo e você?", ao invés de "olha... não ando tão bem assim, tem acontecido umas coisas que tem me chateado bastante".
Foi um período de transição pelo qual eu passei e só obtive ganhos, mesmo que algumas coisas tenham parecido desastrosas lá no começo... O importante é que tudo terminou bem. Se é que terminou... Vivo um eterno recomeço e cada dia é um novo dia, uma nova, ou, mais uma oportunidade para ser feliz. Agora, até fisiologicamente eu me sinto melhor. No primeiro semestre eu estava com o nariz escorrendo quase toda semana, era uma tosse que não ia embora nunca. Até internado eu estive, por causas que nem os médicos, nem os exames souberam explicar bem.
Cá estou eu, reabilitado, saudável, feliz! Aprendendo com tudo o que enfrento nesse mundo cão. Esse ano de 2010 passou rápido demais, mas foi bastante intenso. E agora estamos no mês que, talvez, seja o que mais me encanta: dezembro. Eu amo esse clima de Natal que se instaura pela cidade logo depois do dia das crianças, em outubro, quando, pouco a pouco, as lojas vão se enfeitando e os Papais Noeis aparecem nos shoppings.
Um bom restinho de ano aos que me visitam aqui no blog. Esse não é um post de despedida, falta muito para férias, se é mesmo que eu consigo passar muito tempo sem escrever algo aqui.
Até.
"Eu te dou a minha mão
by Ivete Sangalo
Tudo mudou, mas a minha essência permaneceu-se viva. Esteve soterrada por algum tempo e não a encontrava em canto algum desses destroços, mas cá estava, intacta! Fortaleci bastante esse ano e descobri o valor da privacidade. Me preservar em alguns momentos desse ano foram fundamentais para hoje eu me sentir pronto para seguir e dar a cara a tapa.
Cheguei na faculdade meio imaturo em algumas coisas e tudo me pareceu festa à princípio. Mas aos poucos eu fui aprendendo a me guardar, a não expor tanto a minha intimidade, a escolher as pessoas com as quais eu iria de fato conviver e chamar de "amigo". Não se deve contar tudo a todos, não porque não se deva confiar nas pessoas, mas porque nem todos estão realmente interessados em te conhecer e em saber se você está bem, ou se está passando por algum problema. Um "oi, tudo bem?" muitas vezes deve ser respondido com um "tudo e você?", ao invés de "olha... não ando tão bem assim, tem acontecido umas coisas que tem me chateado bastante".
Foi um período de transição pelo qual eu passei e só obtive ganhos, mesmo que algumas coisas tenham parecido desastrosas lá no começo... O importante é que tudo terminou bem. Se é que terminou... Vivo um eterno recomeço e cada dia é um novo dia, uma nova, ou, mais uma oportunidade para ser feliz. Agora, até fisiologicamente eu me sinto melhor. No primeiro semestre eu estava com o nariz escorrendo quase toda semana, era uma tosse que não ia embora nunca. Até internado eu estive, por causas que nem os médicos, nem os exames souberam explicar bem.
Cá estou eu, reabilitado, saudável, feliz! Aprendendo com tudo o que enfrento nesse mundo cão. Esse ano de 2010 passou rápido demais, mas foi bastante intenso. E agora estamos no mês que, talvez, seja o que mais me encanta: dezembro. Eu amo esse clima de Natal que se instaura pela cidade logo depois do dia das crianças, em outubro, quando, pouco a pouco, as lojas vão se enfeitando e os Papais Noeis aparecem nos shoppings.
Um bom restinho de ano aos que me visitam aqui no blog. Esse não é um post de despedida, falta muito para férias, se é mesmo que eu consigo passar muito tempo sem escrever algo aqui.
Até.
"Eu te dou a minha mão
Te dou meu carinho
Pra ficar feliz juntinho
Pra ficar feliz
Pra te dar felicidade!"
Pra ficar feliz juntinho
Pra ficar feliz
Pra te dar felicidade!"
by Ivete Sangalo
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Brincadeira-de-balanço
Sentado na minha
brincadeira-de-balanço,
paro para pensar e crio.
Desde menino
brincomigo.
Juntinho.
Hummm... nido!
Pega-pega
pique- -esconde
polícia-e-ladrão
tudo-tudo
imagemação
É acreditar
e ser. E dizer:
sou herói, sou rei.
Sou Capitão dos Mares,
sou Peter Pan e
Aladin.
Brincar de ser
quem não sou,
de ser quem se
imagina ser e
não é. Mas é!
Hoje brincoainda
Me liberto
cubro mundo
descoberto
Inverto
Arregaço cortinas
Brincarte
de ser criança
jovemadulto
que seja!
Ainda carregada
de sua leveza.
E continuar
e não deixar
se apagar e viver
naquele mundinho
imaginário - infindável! -,
que só mesmo
meninos são capazes
de aproveitar.
- Por quê?
brincadeira-de-balanço,
paro para pensar e crio.
Desde menino
brincomigo.
Juntinho.
Hummm... nido!
Pega-pega
pique- -esconde
polícia-e-ladrão
tudo-tudo
imagemação
É acreditar
e ser. E dizer:
sou herói, sou rei.
Sou Capitão dos Mares,
sou Peter Pan e
Aladin.
Brincar de ser
quem não sou,
de ser quem se
imagina ser e
não é. Mas é!
Hoje brincoainda
Me liberto
cubro mundo
descoberto
Inverto
Arregaço cortinas
Brincarte
de ser criança
jovemadulto
que seja!
Ainda carregada
de sua leveza.
E continuar
e não deixar
se apagar e viver
naquele mundinho
imaginário - infindável! -,
que só mesmo
meninos são capazes
de aproveitar.
- Por quê?
domingo, 31 de outubro de 2010
O Encontro
Oi, hoje eu vim aqui só
pra dizer...
Só pra te ver e
tenho dito, e tenho
visto.
E insisto:
Oi, hoje eu vim aqui
pra sorrir.
Mais tarde, quem sabe o
tempo ria - por último -
de todas nossas brincadeiras.
Esses jogos silenciosos.
Jogos de quem olha
e não fala, e pensa
e diz, talvez.
Oi, hoje eu
vim aqui.
Relutei, persisti,
avancei, consegui.
E te vi, ainda de
longe, chegar.
Oi, hoje eu estou aqui.
Vim dizer, vim te ver,
que só olhar já não basta.
Agora vem logo,
me abraça.
pra dizer...
Só pra te ver e
tenho dito, e tenho
visto.
E insisto:
Oi, hoje eu vim aqui
pra sorrir.
Mais tarde, quem sabe o
tempo ria - por último -
de todas nossas brincadeiras.
Esses jogos silenciosos.
Jogos de quem olha
e não fala, e pensa
e diz, talvez.
Oi, hoje eu
vim aqui.
Relutei, persisti,
avancei, consegui.
E te vi, ainda de
longe, chegar.
Oi, hoje eu estou aqui.
Vim dizer, vim te ver,
que só olhar já não basta.
Agora vem logo,
me abraça.
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