domingo, 11 de abril de 2010

Um (outro) canto

Vou me lançar,
vou girar...
Vou dançar valsa,
vadiar...

Vou viajar nessa idéia,
vou acreditar nessa farsa!

Vou me lançar,
vou gritar...
Vou dançar salsa,
rodopear...

Vou mergulhar nesse sonho,
vou me desligar desse mundo - real!

Vou me lançar,
vou sem medo.
Vou pr'outros cantos
com esse canto.

Vou visitar outros terrenos,
vou me envolver nesse encanto!

- Me acompanha nessa dança?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Des(Nú)do

Pode tirar essa máscara, meu bem,
aqui somos eu e você.

Deixa disso, garoto,
deixa de graça.

Assim você pode ser, camarada,
sem muitas máscaras.

Não faz trapaça, menino,
não sou palhaça.

Desnude-se agora, meu chapa,
ou vá já pra casa.

Mas caso ainda quiser,
caso a coragem voltar...

Não se avexe, meu nego,
e corra pra cá.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Avise-me

Por favor,
se tu assim quiseres,
despeça-me.

Eu até sofrerei,
eu até chorarei,
eu até soluçarei...

Mas, por favor,
se assim tu achares melhor,
despeja-me.

Pois eu irei,
em pedaços - eu sei -,
com minhas lágrimas,
é claro, e sem seus afagos.

Enxota-me,
se assim preferires,
só, por favor, não
se esqueça de.

sábado, 13 de março de 2010

Partido Alto

"Deus me deu mãos de veludo
Prá fazer carícia
Deus me deu muitas saudades
E muita preguiça
Deus me deu pernas compridas
E muita malícia
Pra correr atrás de bola
E fugir da polícia
Um dia ainda sou notícia

Deus me fez um cara fraco
desdentado e feio
Pele e osso, simplesmente
Quase sem recheio
Mas se alguém me desafia
E bota a mãe no meio
Eu dou porrada a três por quatro
E nem me despenteio
Porque eu já tô de saco cheio."

by Chico Buarque,
na voz de Cássia Eller

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A vida é leve, acredite!


- Você pode ligar o som?
  
Um hiato entre o ato e o fato consumado.

- Obrigado. Agora apague as lâmpadas. Incluindo a da minha cabeça. Assim fica melhor. 

Primeiro, o sopro. Depois, o verbo. Certamente foi aquela coceirinha nas mãos, vontade de criar, que levou Deus a fazer tudo, tudo isso. O mundo como ele é e como imaginamos que seja. Tudo não passa de simples versões subjetivas - até demais.
Quem nunca viu o filme da vida passado em sua cabeça deitado na cama, antes do sono o capturar? Pura dramaturgia.
 A vida é leve, acredite. E prazerosa. Há beleza também na dor. Há força também e insegurança.

- Faz tanto tempo. Mas agora me lembro.

Meu coração despertou, eu posso sentir. As lágrimas, uma vez ausentes, agora estão até constantes. Eu já posso sentir o alívio de quem sente e não guarda. E não acumula.
Volto a dizer: a vida é leve como uma brisa. Fomos nós quem criamos toda a confusão, desde Eva, Adão e a Maçã. O caos. Mas as coisas não haveriam de ser assim mesmo, dessa forma? Sem muitas respostas, com várias questões? Com mais portas fechadas do que chaves no molho?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Vapt vupt (1ª parte)


Há sempre uma intenção por trás da palavra.

E, por trás da intenção, uma vontade - implícita!

Será?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Da minha câmera (quebrada!)

Pesco você com um zoom.
Capto, no ato: gravo
na fotografia.

Vou examinando você, descamando.
Mas você, você não acaba,
você é só casca.

Até quando vou
desmembrar-te,
parte a parte...

Não, você não acaba,
é troço sem fim.
- Sai de mim!

Guardo-o numa câmara,
na memória da câmera,
dou-te um descanso.

Mas você, você não tarda
a se revelar.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Os meus serás e rock’n roll’s

Nós somos o que somos e é mesmo muito difícil nos mudar. Será verdade? Não. Ou sim, sei lá! Mas o fato é que escrevi aqui no fim do ano sobre a minha mesmice irritante, afirmando ter me deparado com as questões de sempre – bem recorrentes –, em minha terapia e agora, em menos de dois meses já estou pensando diferente, ou não!
Será que podemos condicionar nosso comportamento? Por exemplo, eu sempre fui muito acomodado, preguiçoso talvez, nunca estudei muito na escola, talvez por ter facilidade com as matérias, talvez pelo nível da escola não ser muito puxado... Só sei que ano passado tive de mudar minha postura e foi bastante difícil. Eu sentava para estudar, passava uma hora, duas, e antes de completar três horas, eu já estava pensando em mil coisas, saindo totalmente do foco. Confesso que com o costume, eu fui aprendendo a estudar. Mas a ‘preguicinha’ e o comodismo ainda moram aqui, e andam de mãos dadas!
Com isso, eu vejo que nós podemos nos disciplinar, corrigir certos ‘defeitos’, mas e os nossos pensamentos? Nós podemos mudá-los? Será mesmo?
Eu disse há dois ‘posts’ que iria ser chato com dignidade daqui pra frente. Na verdade eu quero ser, não só chato, mas ser o Filipe com dignidade, sem recriminações. Será que com o tempo, com o exercício diário de dizer: Ih, falei besteira, mas deixa pra lá... Eu vou me acostumar? Ou vou ter que fazer sempre esse mesmo ‘esforço’ pessoal?
Hoje, nesse momento – talvez isso mude até o momento em que eu postar –, eu vejo que certos pensamentos terão de ser exercitados “pelo resto da vida”. E como procuro ser uma pessoa educada, bem humorada e positiva, vou ter que espantar os pensamentos negativos sempre que surgirem.
Vou ter que me dizer: não julgues, o que você tem a ver com a vida do outro? Para evitar tirar conclusões erradas, ou certas, de todas as pessoas com as quais eu convivo e as que eu não vejo no dia-a-dia também! E por julgar os outros, eu, muitas vezes, recuo minhas atitudes e/ou opiniões por medo da crítica, da resposta que irei ter do outro.
É certo que com as minhas mudanças repentinas de opinião, eu já até me acostumei. Agora – pelo que deu pra perceber – eu estou procurando ir mais fundo, questionar, repensar, remodelar outras questões... Já diria Raul Seixas: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante,” do que ser aquela velha ‘forma’ formulada pelo tudo, do que ser aquela velha ‘forma’ formulada pelo tudo que já me atravessou, que hoje eu já nem sei quem sou...

Obs: ”Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes”!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Velho amigo

Abro a janela para que as coisas aqui dentro possam estar mais claras. Com um giz, desenho imagens encomendadas pelo meu inconsciente. Assim é tão fácil expressar, apenas despejar sobre o papel a vontade, mais tarde, traduzida em coisas que dão sentido. É dessa maneira que gosto de me manifestar.

O sol trás luz e calor. O calor me faz bem. O calor me faz mal. Assim costumam ser as coisas aqui dentro, não seguem uma lógica. Elas se contradizem. E quem disse que nos contradizer não é normal?

Farejando o passado, reencontrei um velho amigo: L.! Tão distante, tão por perto. Tão intenso aqui dentro.

L. está aprendendo a dizer sim a tudo aquilo que um dia teve vontade de dizer, mas não pode, não deu conta.

É, L. CRESCEU. Casou, mudou e não nos convidou. Foi viver no campo. Foi conhecer outros cantos, outros encantos...

L. olhava de longe a porta que estava logo ao fim do corredor. Caminhou devagar, um pouco hesitante, o coração apertado com o medo recorrente que costumava lhe assombrar. Arredou a porta que estava apenas escorada e espiou pela fresta que havia surgido.

- Vem, pode entrar.

O quartinho era meio obscuro. Uma mesa ao centro, a lâmpada mal encaixada no teto iluminava pouco todo o interior do cômodo, alias, iluminava somente o centro para falar a verdade. Os outros estavam sentados, ele, ainda à porta, pensava um pouco antes de tomar qualquer atitude.

Sempre, sempre distante. Aéreo. Assim costumava ser.

Um dos outros arredou uma cadeira para que L. viesse e se sentasse. “E se eu for até lá, como será?”. Ele costumava se lembrar de alguns fatos do passado, esse tão azucrinador em certos momentos. Era de lá que sua insegurança vinha, era de muito tempo.

L. afastou a porta até o canto, caminhou até a mesa e se sentou. E a luz, que falhava, se apagou.

- Quem fechou a janela?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Tin tin!


Querido diário,

Foi aqui que tudo começou, há uns cinco anos... Quando te procurei para, a partir de então, registrar tudo o que viesse a acontecer. Inspirado em Anne Frank, claro. Foi assim que comecei a praticar minha escrita, logo em seguida vieram as primeiras "crônicas", se assim posso considerá-las, as primeiras poesias, os romances inacabados, os contos, ainda, em fechamento...
Com você, veio também o meu processo de 'auto-conhecimento'. Quantas vezes o questionamento 'quem eu sou?' passou por suas páginas? Quantas! Eu queria, a todo custo, me enquadrar nos conceitos já formulados. Imaturidade, talvez... Faz parte da idade, na época eu tinha meus 13 anos.
Logo depois, acredito que você se lembra, eu comecei a fazer terapia. Ah, que grande iniciativa a minha. Foi uma das melhores coisas que fiz até hoje. Nesse processo de análise pude exorcizar tantos fantasmas, deparar com outros tantos, reencontrar... Tem sido muito, muito bom.
E, nesse tempo, eu pude amadurecer também na escrita. Às vezes ainda tropeço nas palavras, cometo alguns erros, difíceis de serem encarados... Muitas vezes, por causa deles, pensei em acabar com meu blog e começar do zero. No entanto, eu sempre frisava para mim mesmo que todos temos um passado, esses errinhos fazem parte da minha história, compõem a caminhada ao progresso.
Falando no blog... Em maio completamos dois anos. Fico feliz em ver que estou persistindo nessa história. Tive um outro, Memórias de um futuro remoto, mas que não tinha dado muito certo. Havia desanimado pelo fato de não aparecerem leitores... Às vezes até apareceram, mas eu não cheguei a notar. Mas daí foi bom, com o Meu eu. - um dia irritante! -, descobri que nós temos que ser o nosso primeiro leitor. Devo escrever, ler, avaliar, criticar e, algumas vezes, dar lugar à vaidade e sentir aquele orgulho: mas que lindo texto!
Tudo isso tem me ajudado muito a chegar num denominador comum, à incansável busca pela minha essência.
Já cheguei a conclusão de que eu sou meu maior vilão. Eu me derrubo no chão como ninguém. Faço de mim mesmo um mártir. Não aceito meus erros com facilidade, daí, acabo "sofrendo" de uma crônica culpa. Desde sempre, eu nunca gostei que meus pais, ou, meus tios me corrigissem. Quando eu via que estava errado, já era o fim. Ficava nervoso se me chamassem a atenção, já não bastasse as minhas próprias broncas.
Esse ano eu resolvi que vou viver de forma mais leve. Sem muitas cobranças pessoais, errando muito e me ligando ao 'fodas'! Vou aprender a não ligar para a opinião alheia, principalmente aquela que um certo Lipe Arêdes formula de mim (rs). Mas é que muitas vezes me taxo de muitas coisas, julgo-me chato, por exemplo... Mas esse ano eu decidi e vou ser chato com dignidade. Eu enxerguei isso nessa edição do Big Brother (tá vendo, 'ele' também é cultura). A participante Elenita é extremamente chata. Ela fala quando deveria ficar calada, problematiza em cima de tudo o que os outros falam, é irreverente no seu jeito gorda de ser, 'causando'' com suas roupas curtas - saias justas! -, mas não está nem aí.
Então, caro diário, é isso: Esse ano eu quero ser; sem sofrimentos e cobranças. Quero poder dizer: que cagada, heim! Mas bola pra frente. Não quero estacionar no tempo. E sei que tudo isso só virá somar ao meu amadurecimento.

- Um brinde à minha chatice!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Eu e o mar

Não tenho aquela paixão pelo mar,
sou mais admirador do céu,
bastante firme no chão,
mas o mar... Ele vive distante de mim.

Eu prefiro ficar sentado na areia, do que
avançar sobre as ondas, mergulhar, furar...
Isso não me encanta.
Não agora, não até hoje.

De cá eu só observo, vejo a maré levantar.
Penso, penso muito. Sinto.
Deixo elevar meu pensamento, que flui,
mas não pela água, e, sim, pelo ar.

A brisa renova meu ser,
ensina-me a ver e rever os fatos,
a repensar outros casos...
A decidir...

Mas o mar - nesse instante - está logo ali,
a alguns poucos metros de distância,
a me esperar...
Mas lá, eu não vou. Não por agora.

Quem sabe um dia,
nós dois, numa mesma sintonia,
poderemos nos cruzar.
Eu e o mar... Eu e o mar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Enfim, a certeza

Vejamos: há uns três dias a certeza suprimiu a angústia que passeava aqui dentro. A notícia de que eu tinha passado na UFMG veio da melhor forma possível, assim penso. Eu estava na praia e não pude ficar na espreita, acabei recebendo o resultado pela boca de outra pessoa e isso eliminou todo aquele nervosismo que eu teria passado em frente ao computador.
A sensação de vitória é boa demais e me falta palavras para descrevê-la. Pensar que todo esforço não foi em vão... Que Deus me abençoou muito durante todo o processo de estudos e provas. Foi tudo muito exaustivo, abri mão de tantas coisas... Coisas tão importantes para mim, prioridades passadas... No entanto, valeu a pena. Deu certo.
Agora uma nova fase se inicia em minha vida e, como sou chegado a todos esses misticismos, de começos e finais de etapas, vou curtir todo esse momento bastante.
Posso dizer que estou de volta à minha vida, vivida (mais ou menos) à minha maneira, com alguns intempéries, é claro. Voltarei pro teatro, continuarei a fazer minha natação e mergulharei de cabeça no meu tão querido curso de psicologia. Neuroses e mais neuroses pela frente.
E que eu continue aqui, nesse Meu eu., não mais irritante, trabalhando minha escrita, melhorando pela prática e pelas leituras que faço.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Juntando as malas.
Abrindo o guarda-roupa, escolhendo as peças necessárias para a fuga.

- Não sabe o quanto eu estava esperando por isso.

Refúgio.
Um lugar bem tranquilo, é lá que quero estar.

"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca da Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
[...]

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada."

(Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira)

Vou-me embora. Por uns tempos apenas.

- Vai, vai sim, que Eu te espero.

ps. Avisem-me quando tudo estiver certo. Concreto.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Minha mesmice irritante

Eis a minha retrospectiva (feedback): É que eu nem sou chegado nisso, imagina! Eu só passei umas três sessões da minha terapia revendo o meu 2009. Falta de assunto? Talvez... É que estou esgotado das mesmas neuroses me aporrinhando. Preciso de motivos novos, razões ainda não conscientes, questões desconhecidas para trabalhar... Mas no momento estão em falta.
Sabe, é frustrante ver que no fundo você é uma mesmice. Constante. Eu penso que mudei muito, mas a essência está aqui - com toda a sua podridão também. Ainda assim, não desisti de me redescobrir, de me virar ao avesso e sacudir bastante, até tudo cair por terra. Todas as minhas "verdades". Talvez essa seja uma pretensão minha para o ano de 2010, uma das tantas!
A cada dia que passa me vejo mais incoerente, um tanto contraditório. Eu estava dizendo ao meu terapeuta que eu não gosto de criar grandes expectativas em ralação aos fatos, por ter medo de me frustrar... No entanto, cá estou eu, um poço de sonhos. Talvez, um abismo.
Meu ano foi turbulento, mas por dentro. Estou esgotado. Minha mente não pára - mente pensante, incessante. Tenho estudado muito, esforçado bastante. Nem me reconheço mais. Eu era tão conformado, satisfeito por ser mediano. Só que esse ano acreditei que eu poderia ir do bom ao muito bom, até parar no excelente.

- E parou?
- Espero que não.

Não quero nunca descobrir o meu melhor. Quero colocá-lo num altar, distante de mim e, a cada vez que eu me aproximar, por favor, o afastem de novo. Deixem-no bem longe e coloquem novos, velhos (tanto faz) obstáculos.
Ao contrário de Drummond, que dizia ter uma pedra no meio do caminho, tenho várias, quero várias. Elas me forçam a progredir, pela dor, pelo amor. Mas atenção! Tudo para chegar a lugar nenhum. Sem nenhuma, real, conclusão.

Era uma vez uma barata, que já havia passado por intensas mudanças climáticas ao longo dos séculos, resistido às, sistemáticas, catástrofes da natureza, sobrevivido após inúmeras bombas lançadas durante as Grandes Guerras Mundiais. Mais tarde, depois de tanto zanzar, ficou tonta. Sem saber que caminho tomar - perdida - acabou atropelada por anseios superiores: Um pezão bem grande veio e a des-ba-ra-ti-nou. De seu homicídio, restou apenas a sua gosma, viscosa, alojada, até o momento, no seu interior.

ps. Em 2010, eu desejo um terremoto para avacalhar com todo esse antiquário.

sábado, 26 de dezembro de 2009

'querzinho' de querer 'irzinho'

Não dou conta mais. Não agora.
Preciso daquelas tais semanas,
cuja os dias eu poderia passar apagado.
E, ainda assim, de nada adiantaria.

Preciso fugir.
Extinguir-me.
Preciso sumir...
Desaparecer de mim, de ti, daqui.

Já vou, já fui.
- Estou indo.
- Me aguarda, vai.
- Esta bem.

ps. aaaaaaaaaaaah! Não vejo a hora de tudo isso passar, quero muito, muito passar na UFMG, mas a vontade de poder respirar aliviado e dizer: acabou!... Talvez seja muito maior agora.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Por trás dos natais, existe um Natal

" - A senhora é conformada.
- Tenho fé, dona. Deus nunca me abandonou.
- Deus - repeti vagamente.
- A senhora não acredita em Deus?
- Acredito - murmurei.
[continua...]"

É tempo de natal.
Tempo de reflexão para alguns...
De compras para outros.
Ou dos dois. Juntos.

É tempo de natal.
Tempo de alegria para alguns...
De tristeza para outros.
Ou dos dois. Juntos.

É tempo de natal.
Tempo de estar junto dos outros...
Ou sozinho, afastado de alguns.
Ou os dois. Se-pa-ra-dos.

Deixemos de lado as conotações dadas ao Natal... Voltemos para o seu real significado, ainda que forjado pela Igreja. Lembremos do nascimento de Cristo e de toda a sua influência para a humanidade - até os dias de hoje.

"[...]
E ao ouvir o som débil da minha afirmativa, sem saber por quê, perturbei-me. Agora entendia. Aí estava o segredo daquela confiança, daquela calma. Era a tal fé que removia montanhas..."

( extraído do conto "Natal na barca", de Lygia Fagundes Telles)

sábado, 28 de novembro de 2009

Essas lágrimas, de quem são?

Cá no escuro, cá no chão,
encolho-me como quem
deseja retornar ao útero,
seguro, de sua mãe.

Cá no no escuro, deitado
no chão, procuro renovar
minhas forças, por hora,
gastas com toda essa opressão.

Cá no chuveiro, o choro vem
expressar o desespero, o medo...
Vem comprovar o humano
que sou, o homem de pouca
fé que zanza, sem rumo, pela cidade.

Não me reconheço no espelho
(na imagem):
- Essas lágrimas,
de quem são?

Cá na represa, a vazão de toda
aquela água reprimida... Tudo
isso para gerar (renovar) forças,
outrora, perdidas por ai.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

É certo que
não gosto de te ver tão só.

É certo que
não gosto de te largar às poeiras,
baratas, teias e suas donas aranhas.

É certo que
te gosto completo, com teto, com
chão e suas quatro paredes.

É certo que
não gosto, também, de te deixar
com as janelas fechadas, portas emperradas,
entaladas, agarradas ao portal.

É certo que
não gosto de muito desleixo, dou-te
um beijo, deixo o abraço, apertado, de lado. Até.

É certo que
o tempo acaba, ele passa, arrasa-me
com o tempo que não me dá tempo
de não pensar nada;
não escrever nada;
não falar nada;
não expressar nada,
nem um um pio.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Não sei,

É que tenho falado sobre o hoje,
o tempo presente,
mais passado que futuro,
que não volta mais.
Que se foi.

É que tenho falado sobre o cansaço,
o último fôlego, o
temível momento de não
poder mais, de não querer mais,
de não aguentar mais.
Mais nada.

É que tenho falado sobre a vitória,
porque não se começa uma batalha
pensando na derrota, muito
menos pensando em duas, três,
quatro alternativas, caso a primeira
não dê certo... Não, não é assim.
Não mesmo!

É que tenho falado sobre o tanto
que tenho a falar, que muitas vezes nem
sei, mas que está aqui dentro.
Falar sobre o nada que sinto, esta coisa
sem nome, sem tempo, sem espaço, sem... Sentimento?
Talvez...

Talvez, eu realmente não tenha nada a dizer,
mas me forço. Pelo puro prazer de
apenas exercitar essa escrita, essa vida
registrada em versos, minha ferida,
minhas dores e amores, estes que não vieram,
por falta de tempo, um contratempo, quem sabe?
Não sei.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Acordei preocupado,
pensando no tempo que ainda resta,
evidenciando as dificuldades,
as pedras, ainda, visíveis na minha frente.
Em pensar... Que outras tantas virão.

Hoje, hoje eu acordei cansado,
cansaço este, que eu poderia
dormir por semanas... Mas que
de nada adiantaria. Preciso de um tempo.
Um tempo fora desse espaço, um tempo
que pudesse parar no primeiro estalo.

Eu só não me canso de dizer: força! Ao
menos coragem, vai. Em pensar que estou
só no começo e que ao longo da vida,
muitas outras dificuldades virão. Sacrifícios
terei de fazer, para mais uma vez tentar.
Tentar e conseguir. E nunca muito diferente disto.

sábado, 3 de outubro de 2009

Se é assim...

Eu respeito.
Eu deixo de lado, te guardo.
É que me escapou pelas frestas da mão. Partiu!

Desejos guardados, engavetados, arquivados...
Vontade voraz. Fome do outro, por já
ter devorado tudo aqui dentro.

A caça, minha farsa...
Disfarça, vai. Deixa de lato tudo isso
e vamos embora, bora?