quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ver!ssimo

O ano não se acabou, mas muitas coisas se foram.
Há um vir e devir constante.
Há também a necessidade.
Há um ano Ver!ssimo,
marcado por sua brevidade.
Obrigado.




"A limitação da fruição aumenta a sua preciosidade." 

A Transitoriedade (1916), Sigmund Freud
 
Obs.: 2011 marcou meu! coração.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ninguentantarigidez

Pedra bruta,
do chão machuca.

Arrisque pisar
descalço. Pé
cascudo que
seja, não pisa
tranquilo, sem
uma peleja.

Pedra Polida?
Pedra lascada,
isso sim! Carrega
consigo memória
primitiva.

Ah, Pedra...
Tu ensaias
outros acordos
com tecido
sensível dos
homens...

Oh, Pedra,
tu feres! Tu
feres.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O tempo e sempre


"Tudo tem o seu tempo determinado, e há
tempo para todo propósito debaixo do céu;
há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo 
de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
tempo de matar e tempo de curar; tempo de
derribar e tempo de edificar;
tempo de chorar e tempo de rir; tempo de 
prantear e tempo de saltar de alegria;
tempo de espalhar pedras e tempo de 
ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de
afastar-se de abraçar; 
tempo de buscar e tempo de perder; tempo
de guardar e tempo de deitar fora;
tempo de rasar e tempo de coser; tempo de
estar calado e tempo de falar;
tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo
de guerra e tempo de paz."

Eclesiastes 3. 1-8

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Áh

ou O mesmo e o cansaço

o tato insiste.
a pele, o odor
e essa danada
fixação. 

Acarneagrega.
A carnesfrega.
A carne nega.

     
        pegar,    largar, 
          encostar, soltar, apertar     
     tocar, arredar, afrouxar
      aproximar, afastar,
    sentir

Sente. Sente
e se apega, e se
pega pensando.
Sente. Sente
e não pega, e se
apega pensando. 


O tato insiste.
a pele, o amor
e essa danada
repetição. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ainda – do verbo existir

A vida está pobre e o discurso se tornou enfadonho. De tanto preferir o silêncio, gritou. Mas gritou mesmo, de horror! É a ausência implacável.
*

É tudo e correria. Para onde corres? Não os sigam!

*

Experimente brincar de aparecer e desaparecer. Faça-o pelo apelo do peito, palpitando exigente desejo; caso contrár
                                                                                                                      
                                                                                                                                   
                                                                                                                     , io

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Da (minha) ausência e falta de atenção...

" Atirei um limão n'água,  
antes não tivesse feito.  
Os peixinhos me acusaram  
de amar com falta de jeito."

Lira do Amor Romântico Ou a eterna repetição,

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Dorme, meu filho

O dia lá fora está lindo, mas aqui dentro tudo continua triste. Tem feito dias difíceis.
E eu insisto em não dormir...
- Até quando?


Consolo na praia

Carlos Drummond de Andrade

Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia D(rummond)

Esta não é uma homenagem, 
tão pouco uma comemoração. 
É apenas um recado,
anunciando o aniversário 
de Carlos Drummond.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ou A quase poesia do ser

É preciso ser e sentir
a sensível ação do eu.

É só se ouvir, perceber
no vazio o inaudível espaço
do existir. Abafado.

Ser onde não se
escreve, quando não
se inscreve.

Ser o ausente
em si e por si
– sem medo.

só sendo.
  
"O essencial é invisível aos olhos."
  O Pequeno Príncipe,
Antoine de Saint-Exupéry

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Bagagem da Infância

Da minha infância, carrego comigo a criatividade, matéria-prima para continuar produzindo arte.

Um Feliz Dia das Crianças!

"Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam:
– O que você quer ser quando crescer?
Hoje não perguntam mais. Se perguntassem,
eu diria que quero ser menino."

Fernando Sabino

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Asfaltar

        ou A Ausência – emprestada – do Outro

É nesse  hi to
Nesse estreito
espaço – que 
me ncaixo.

"A ausência é um estar em mim."
Ausência, de Carlos Drummond de Andrade

domingo, 18 de setembro de 2011

"É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."
                                   O Pequeno Príncipe

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

I ♥ War

Essa onda
por hora me
afoga.

Ela, água
do Rio, no
rio deságua.
Não antes
de arrastar-me
na ressaca.

Você chama,
revolto... e Eu vou...
consentindo...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Driblou os medos e foi... De olhos fechados,
para não ter que encarar a Altura.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Hoje eu só tenho uma coisa a dizer:

- Eu me deslumbro com o mundo!


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

sobreVoar

É que nesta noite eu sonhei que sabia voar.
Alcei-me por sobre as núvens,
ensaiei manobras rasantes...


só sei que voei,
sim, voltei.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Desarmar

Dizer sim
a um não à toa,
atroa!

Dizer não
assim, numa boa...
(Por mais
que você doa)
Doemim.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Meu! Cérebro

"Só eu posso pensar se Deus existe,
só eu! Só eu posso chorar quando
estou triste... só eu."

Cérebro Eletrônico, Gilberto Gil


Às vezes eu queria ser diferente, queria pensar menos, questionar menos, indagar menos... Eu gostaria de ser simples, fácil de compreender. Ser como aquele que vive e só vive. Age por instinto, pelo faro. Segue a intuição e corre riscos. Eu corro e me arrisco. Presumo que sempre! Mas o problema é que eu penso e o pensamento adia a ação e me angustia.
Uma amiga me disse que há pessoas que acordam tristes, mas levantam da cama e vão tomar o seu café da manhã, entram para o chuveiro e em seguida saem para trabalhar/estudar... Eu não!, eu paro e penso: por quê?
Em alguns momentos eu penso que o curso de psicologia me deixa mais neurótico, mais desconfiado. É difícil pensar que um "charuto é só um charuto". Se eu fizesse engenharia, eu acredito que seria diferente. Não que eu quisesse, mas é que eu não estaria tão envolto com a contrução da minha subjetividade, e sim, com alguns prédios, espaçonaves, etc. Por mais que tudo o que fosse projetado da minha mente tivesse um pouco de mim, ainda assim, seria diferente... Ou não!
Às vezes eu me incomodo mesmo com essas coisas, mas por outro lado é bom ver que nada passa sem deixar sua marca, sem provocar um (novo) pensamento, um questionamento, uma pulga na orelha que seja, dessas que demora a coçar, mas quando coça...
Às vezes eu sinto. Sinto e penso, penso tanto que quase enlouqueço. É o preço que pago por ser da humanas.

"E sei que cérebro eletrônico
nenhum me dá socorro
no meu caminho inevitável
para a morte. Porque sou vivo,
sou muito vivo e sei
que a morte é
nosso impulso primitivo"

... na voz de Marisa Monte

domingo, 24 de julho de 2011

Andar Brincar biCicletar

Eu que nunca andei
de bicicleta,
encarei de uma
só vez aquela
"magrela".

Eram passos
descoordenados,
mal elaborados,
tropeçando nos
pedais...
Foram tombos
imprecisos
nos bambus e
lamaçais...

Chinelos
arrebentados,
filete de pele
rasgado na
raça e mais
uma porção
de roxos pra
coleção.

E por fim o
além... Ventinho
manso levando o
guidom... Firme
na direção.

Encarou os
buracos, desviou dos
obstáculos e coroou o
sorriso no rosto,
vitorioso!

Foi na roça,
foi à "rua". Foi
da vontade
de andar, foi
por tentar que
acabei por
brincar de
bicicletar...

sábado, 16 de julho de 2011

f(p): Oe² + Si+A

Sinto-me preso
pela poesia.
Mas poesia não
prende, ou
prende: poesia
liberta. Mas eu
cada vez mais
amarrado a
esse gênero.

É essa métrica...
Equação de
primeiro, segundos,
terceiros graus...
Repleta de incógnitas,
sinais e decimais...
Acabo por algemar-me
a essa complicada
função.

Tem-se própria
geometria... Traça-se
os eixos das abscissas
e coordenadas.
Promove encontro
entre os pares
ordenados.
Tudo para
desenhar aquela
danada parábola!

E aí, sim, a(s) solução(s):
Para f(a) = x  temos...
Para f(b) = y
vemos...

Resta saber se
o resultado satisfará
a expressão... se não terá
trapaceado seu valor.

Sinto-me preso
à poesia. Sinto
às vezes se
tornar difícil
para calcular.
[e (eu)]     

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Até quando fugirás?

 ou Poema sobre a repetição

Impressiona-me
perder de
vista numa
fração espremida
de vida essa
sua feição.

Acontece
sempre no
exato momento,
daqueles bem
raro, quando minha
percepção falha
nessa sua fuga
bandida.

Vejo forma crua
semprenua facilmente
se esgarçar...
 
Essa sua
beleza vai-se
antes mesmo
de um primeiro
toque.

Precipitadamente
ameaçadamente
se desmente,
desprende.
 
Será o
peso? Será
o custo? Será?

Será Sereia
encantadora
traiçoeira.
Afogará esse
amor numa
fogueira
(por não
saber o alimentar).